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Itabira, 09 de fevereiro de 2026

PALAVRA DO PÁROCO Pe. Ueliton Neves da Silva MÊS DE fevereiro  .  2026
TODAS AS PALAVRAS DO PÁROCO

Quaresma da fraternidade, caminho de conversão!

09/02/2026 . Palavra do Pároco

Diletos filhos e filhos, estamos a iniciar um novo tempo na caminhada litúrgica e pastoral da Igreja. Um caminho de conversão nos é proposto afim de nos unirmos à Cristo em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Quaresma é tempo de percorrer esse caminho de conversão. Só assim voltaremos para Deus. Precisamos fazer uma grande revisão de nossos atos. Quantas fragilidades nos cercam, mas não podemos nos acostumar com o pecado. Errar é compreensivelmente humano, mas comprometer a vida com a estrutura do pecado é diabólico. O tempo quaresmal nos chacoalha, nos questiona e nos faz pensar gravemente sobre como estamos levando nossa vida, relações interpessoais… Esse tempo litúrgico tem uma particularidade especial, a de confrontar nossa própria vida com o que deve ser essencial: Deus. Estamos caminhando no mundo, como filhos de um Pai Bondoso que nos chama à conversão? A resposta é pessoal e deve ser levada a peito, ainda que não tenhamos força suficiente para lutar com o pecado e mal.

A Igreja nos ensina que a Quaresma é um prolongado ato penitencial que nos lembra que a Misericórdia de Deus deve ser suplicada. Não devemos nos desesperançar da Misericórdia de Deus. O Senhor constantemente quer nos perdoar, mas necessitamos da humildade e da coragem de voltar para Ele. Quaresma é tempo de ingressar decididamente nessa viagem de volta ao essencial e não podemos esmorecer, mas, com afinco, deixar Deus desmascarar nossas ilusões com a vida velha: “a viagem de regresso a Deus vê-se dificultada pelos nossos apegos doentios, impedida pelos laços sedutores dos vícios, pelas falsas seguranças do dinheiro e da ostentação, pela lamúria que paralisa. Para caminhar, é preciso desmascarar estas ilusões” (Papa Francisco).

O Tempo da Quaresma é pura graça para nós. Não se trata de fazer violência ao nosso corpo, de atitudes grosseiras com a nossa condição humana. Pelo contrário, trata-se de cuidar de nossa vida para que entendamos o imenso amor de Deus por nós, manifestado em Jesus Cristo. Trata-se de um tempo em que somos chamados a nos desvencilhar do que é supérfluo, do que nos maltrata, nos humilha e nos deixa nas trevas, humilhando e maltratando nossos semelhantes e até a nossa casa comum. É uma verdadeira graça de conversão, de fortalecer-nos para enfrentarmos as tentações que nos fazem andar sem sentido num mundo marcado por tantas orientações desnorteadoras.

Neste ano em que somos conduzidos pelo Evangelho de São Mateus, Ano A, a Palavra de Deus nos apresentará a atitude de Jesus de vencer as tentações na força da Palavra. O Tempo da Quaresma é tempo de deixar que a Palavra nos fortaleça, nos anime e nos faça compreender que a vida é graça e vocação. Jesus vence as tentações com a firmeza de quem conta sempre com Deus. Eis o que dá sentido ao nosso caminhar de fé: Deus está sempre conosco. Contamos sempre com Ele. Depois, a Palavra nos iluminará com a transfiguração de Jesus. Queremos ser purificados? Ouçamos a voz da nuvem que envolveu Pedro, Tiago e João, no monte Tabor: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!”. A experiência da conversão nos coloca nesta escuta da voz do Pai. Diante de tantas vozes dissonantes, confusas, cheias de engano, a voz do Pai é agregadora, clara, certa e cheia de ternura. No terceiro domingo da Quaresma, o encontro de Jesus com a samaritana nos expõe a dinâmica da conversão: Jesus nos encontra, dialoga conosco. No quarto domingo da Quaresma, a cura do cego de nascença nos lembra que Jesus nos liberta das trevas e nos faz homens e mulheres cheios de luz, capazes de ver a graça libertadora do Crucificado por amor. No último domingo da Quaresma, antes de entrarmos na Semana Santa, tendo como início o Domingo de Ramos, a Palavra nos apresentará a ressurreição de Lázaro. Cristo é a ressurreição e a vida. Ninguém morrerá se está com Ele. E mesmo aqueles que já experimentaram a morte, estes estão vivos para sempre com Ele.

Durante os 40 dias desse tempo de penitência temos a graça de refletir sobre o que é a nossa vida, qual o sentido da vida, o que nos motiva a viver. Como membros da comunidade de Jesus, a Liturgia quaresmal nos levará a uma intensa experiência de retiro, isto é, de podermos fazer silêncio e escutar a voz de Deus que continua clamando: “Hoje, não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor” (Sl 94, Antífona). Eis o primeiro e fundamental modo de viver a Quaresma: “ouvir a voz do Senhor”. A sua é uma voz que esclarece nossas ideias, aponta o caminho certo e seguro, revela o sentido da vida e dá motivos para viver e ser no mundo imagem de Deus.

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2026 traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Trata-se de uma proposta profundamente evangélica, pastoralmente urgente e teologicamente consistente, que toca o coração da fé cristã e interpela diretamente a consciência e a prática dos discípulos de Jesus.

Inspirada no mistério da Encarnação, a Campanha convida-nos a contemplar, com olhar de fé, a realidade da moradia em nosso país e em nosso território. O lema bíblico remete-nos ao núcleo da fé cristã: o Verbo eterno de Deus fez-se carne, entrou na história, assumiu a fragilidade da condição humana e escolheu habitar no meio de nós.

Para a Campanha, a moradia digna é a porta de entrada para todos os demais direitos. Sem ela, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. A CF 2026 quer estimular comunidades, poder público e sociedade civil a buscar soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional e fortalecer políticas públicas de habitação.

Que a decisão da Virgem Maria, a qual o Cristo encontrou habitação em seu imaculado ventre, nos auxilie na vivência profunda da quaresma e nos ensine a nos refugiarmos em Deus e fazer de nosso coração sua habitação. Habitando em nós, alarguemos a tenda do nosso coração para o acolhimento de nossos semelhantes, sobretudo dos mais frágeis e vulneráveis, aqueles desprovidos de moradia, resultado de uma injusta sociedade e da ausência de políticas públicas eficazes.

Itabira, fevereiro de 2026

Pe. Ueliton Neves da Silva
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha