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Itabira, 02 de março de 2026

DÍZIMO: EXERCÍCIO E EXPRESSÃO DE UMA IGREJA SINODAL

02/03/2026 . Notícias da Paróquia

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA PENHA – ITABIRA

A sinodalidade não é algo novo, mas um dos elementos constitutivos da própria identidade da Igreja. Ao se vivenciar o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade, percebeu-se que ser dizimista é contribuir efetivamente para com uma Igreja sinodal. Uma Igreja sinodal é aquela capaz de ser sinal de comunhão e unidade. Significa caminhar juntos, entre irmãos e com o Cristo. A Igreja é a unidade do corpo de Cristo e a cada membro “foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo” (Ef 4,7). O dizimista encontra na comunidade o seu lugar e com seu dízimo torna-se protagonista na história da salvação. Assim como nas primeiras comunidades cristãs, todos(as) são convidados(as) a: ouvir a Palavra de Deus, realizar a partilha fraterna dos bens e dos dons, comungar da mesma mesa e solidarizar-se com os outros na prática da caridade e na amizade.

As comunidades, desde a Igreja nascente, vivem um longo processo de organização. São várias as dificuldades enfrentadas, desde as estruturais àquelas de convivência na diversidade étnico-cultural-social. Romper esses desafios só é possível na coletividade e sinergia entre a assembleia e seus pastores. Portanto, sendo Cristo, o Ressuscitado, a cabeça da Igreja e todos os batizados e batizadas os membros desse corpo, a sinodalidade é testemunho maduro e dinâmico, capaz de ser sinal de comunhão e de unidade.

A experiência do dízimo consiste em contribuir com o fruto do trabalho de cada pessoa para o benefício de todo o corpo místico de Cristo: a Igreja. Trata-se, portanto, de um exercício de sinodalidade. O dizimista deve ser visto pela comunidade não apenas como aquele que contribui financeiramente, mas ter reconhecida toda a sua cidadania eclesial. Como batizado, membro desse corpo, detém o direito e o dever de participar das decisões e encontrar o seu lugar de pertença e participação na comunidade eclesial; sem privilégios, porém, em pé de igualdade com todos os outros membros da Igreja. Nesse sentido, todos os fiéis, também, são convidados a fazerem a experiência do dízimo.

“A decisão de contribuir com o dízimo nasce de um coração agradecido por ter encontrado o Deus da vida e experimentado a beleza de sua presença amo rosa no dia a dia.” (CNBB, Doc. 106, pág. 16). E é na Casa da Palavra que se encontra o principal fundamento do dízimo. A partir da experiência de Deus, a pessoa traduz essa aliança em gesto de partilha. O dízimo está nas Sagradas Escrituras como fruto dessa experiência do divino. Deus é o senhor de tudo o que existe, e ao entregar o dízimo, segundo a concepção bíblica, reconhece-se que tudo vem dele (cf. 1Cr 29,11.14).

As primeiras referências ao dízimo já aparecem no livro do Gênesis 14, 17-20. Encontramos passagens sobre a prática do dízimo em vários livros da Bíblia, tanto no Primeiro Testamento quanto no Segundo Testamento, valorizando a contribuição do dízimo numa perspectiva de fé. Os relatos sobre o dízimo acompanham a evolução do povo de Deus conforme o contexto histórico de cada época. É interessante compreender como essa prática perpassa o tempo e, por fim, se estabelece como base de organização da comunidade cristã. Seguem referências de alguns textos: Dt 26,12-15; Nm 18,20-32; Lv 27,30-33; 2Cr 31,4-14; Ne 10,37-39; Ne 13, 4-13; Ml 3,8-12; Mt 6,1; Mt 6, 24; Lc 11, 42; Lc 16, 9-11; Lc 21,1-4; Hb 7, 2 e 2Cor 9,7. O documento “O Dízimo na Comunidade de Fé: orientações e propostas” (cf. CNBB, Doc. 106, da página 16 à página 22) ainda menciona vários outros trechos. Vale a pena aprofundar o assunto.

COMPREENDENDO MELHOR O DÍZIMO

O dízimo é sinal de gratidão, gesto concreto de fé. Um convite à generosidade, à fraternidade e à solidariedade. Segundo o Documento 106, da CNBB: “O dízimo é uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis, por meio da qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e da Igreja. Ele pressupõe pessoas evangelizadas e comprometidas com a evangelização” (pág. 13).

A correta compreensão do dízimo evita que a sua prática seja resumida, única mente, como forma de captação de recursos, um entendimento equivocado que limita a riqueza de seu significado. Um outro perigo é a leitura e interpretação fundamentalista de alguns textos, levando a relacionar o dízimo à “teologia da prosperidade”. A graça de Deus é para todos e não faz seleção de pessoas. O dízimo está muito mais ligado à partilha, à pertença, à gratidão e à corresponsabilidade do(a) batizado(a).

O dízimo, portanto, é relacionado com a experiência de Deus e com o amor fraterno; é um compromisso moral dos fiéis e deve ser fixado com consciência pessoal de forma sistemática e periódica.

Quanto deve ser a contribuição do dízimo?

O valor deve ser definido na alegria de cada fiel, sem julgamento ou constrangimento. É uma decisão feita em oração, e está relacionada com o seu senti mento de fé e gratidão. “Cada um dê conforme decidir em seu coração.” (2Cor 9,7).

Quem pode ser dizimista?

Todo batizado recebe o chamado para ser dizimista. “A contribuição com o dízimo nasce de uma decisão pessoal que exprime a pertença afetiva à Igreja vivida em uma comunidade concreta” (CNBB, Doc. 106, n. 9). A entrega do dízimo é uma decisão livre de obrigação, porém, é importante que seja com compromisso e de forma regular. Assim, a comunidade de fé poderá ter mais tranquilidade para a organização e planejamento das suas atividades.

Onde ser dizimista?

Cada fiel procure exercer a prática do dízimo em sua comunidade de fé. A comunidade é o lugar em que ele convive fraternalmente com os irmãos, comunga na mesma mesa, vivência os sacramentos, partilha a vida, desenvolve o sentimento de pertença e participação.

DIMENSÕES E FINALIDADES DO DÍZIMO

Na Paróquia Nossa Senhora da Penha a prática do dízimo se propõe como um recurso, um meio, uma ação efetiva para evangelizar o povo de Deus, em uma realidade urbana e rural complexa, onde cada batizado(a), como discípulo(a) missionário(a) assume sua corresponsabilidade em anunciar a Palavra de Deus com seu testemunho e gesto concreto, buscando revitalizar e multiplicar as comunidades eclesiais, colocando em prática a opção preferencial pelos pobres, o cuidado com a casa comum e testemunhando o Reino de Deus. O Doc. 106 da CNBB identifica quatro dimensões na prática do dízimo: religiosa e eclesial, missionária e caritativa.

1) Dimensão Religiosa e Eclesial – Celebrar

O sentido comunitário realiza e reforça a dimensão pessoal de cada cristão em uma Igreja sinodal. Os fiéis se reúnem em assembleia para celebrar e testemunhar o Cristo ressuscitado. O dizimista, com o seu dízimo, contribui para a manutenção do templo e o funcionamento das estruturas eclesiais que propiciam o encontro, a oração e a vivência dos sacramentos. Todos são chamados a contribuir, generosamente, com o dízimo para que a comunidade disponha do necessário para melhor celebrar. Com o dízimo, a paróquia pode adquirir: vinho, hóstias, velas, materiais diversos para as celebrações e catequese, pagar as contas de água e luz, salários para colaboradores e côngruas, realizar construções e reformas. Sendo os fiéis generosos, a comunidade paroquial adquire novos espaços para igrejas e salões comunitários bonitos, arejados e agradáveis. O dízimo também oferece condições à paróquia de contribuir de modo sistemático com a nossa diocese, mantendo vivo o sentido de pertença e comunhão.

2) Dimensão Caritativa – Partilhar

A comunhão fraterna é expressão da resposta à convocação de Deus dirigida ao povo, como um caminho de sinodalidade, vivenciado no testemunho da ressurreição do Senhor. A comunidade é lugar da partilha de bens e de dons. O dizimista exercita o compromisso social, especialmente promovendo a justiça e os direitos humanos, numa evangélica opção pelos pobres e na prática da ética do cuidado com todos os necessitados da sociedade. O seu dízimo permite a realização de ações sociais e execução de projetos para a transformação e promoção humana.

A dimensão caritativa do dízimo se manifesta no cuidado que a Igreja, como continuadora da missão de Jesus, tem com os pobres. É importante que as paróquias destinem uma porcentagem do seu dízimo, apoiando projetos de promoção humana e colaborando com as obras sociais sustentadas pela diocese.

Uma das características das primeiras comunidades cristãs era que “não havia necessitados entre eles”, pois tudo “era distribuído conforme a necessidade de cada um” (At 4,34 e 35). Ao reconhecerem a autenticidade do ministério de Paulo, os Apóstolos pediram que não se esquecesse dos pobres (cf. CNBB, Doc. 106, n. 9).

3) Dimensão Missionária – Evangelizar

A missão acontece na promoção do encontro das pessoas com Jesus. A comunidade, portanto, é por sua natureza missionária. Por meio do dízimo, o dizimista fiel impulsiona a evangelização. O dízimo é exercício e expressão de uma Igreja sinodal, porque possibilita, por meio do esforço coletivo: o anúncio da Palavra, a organização de momentos formativos, a catequese, o sustento das pastorais e a capacitação dos atuais e futuros ministros ordenados, leigos e leigas.

A PASTORAL DO DÍZIMO

A Pastoral do Dízimo é a ação eclesial que tem por finalidade motivar, planejar, organizar e executar iniciativas para a implementação e o funcionamento do dízimo, e acompanhar os membros da comunidade no que diz respeito à sua colaboração.

Missão evangelizadora da Pastoral do Dízimo:

  • Tornar o dízimo conhecido, sua aplicação e dimensões.
  • Incentivar o fiel a fazer a experiência.
  • Cuidar do dizimista e da conscientização dos fiéis (leigos, leigas e ordenados) sobre o dízimo. • Conscientizar os fiéis sobre a importância da manutenção digna, por meio do dízimo, das condições necessárias para que aconteça a evangelização na sua comunidade, conforme a missão da Igreja.
  • Fortalecer o dízimo nas paróquias.
  • Desenvolver a pertença eclesial e a diocesaneidade.
  • Promover uma Igreja em saída, tornando-se uma Igreja acolhedora e de portas abertas.
  • Propagar a cultura da partilha, a sinodalidade e a solidariedade entre as pessoas, incentivando a Pastoral de Conjunto.

Meta:

  • Tornar cada comunidade um lugar de encontro, de fé, de partilha e de compromisso, despertando nos fiéis um verdadeiro sentimento de pertença, engajamento e experiência dizimal, por meio de um encontro autêntico com Jesus de Nazaré.

Os agentes missionários da Pastoral do Dízimo:

Espera-se que os agentes missionários da Pastoral do Dízimo deem testemunho de ser dizimistas bem formados, bem entrosados e que saibam trabalhar em equipe.

Para compor a equipe que sejam convidadas pessoas de boa vontade e que estejam dispostas a aprender e caminhar juntas. Algumas características esperadas do agente da Pastoral do Dízimo: ser comunicativo, saber escutar, dar e receber feedbacks, ser acessível, criar relações, ter flexibilidade, ser empático, ter autenticidade, ser visionário, ser comprometido, ser entusiasmado pelo Reino de Deus, estar disposto a desenvolver conhecimento bíblico, cristológico, eclesial, teológico, espiritual e pastoral sobre o dízimo.