Foi divulgado, nesta semana, o aumento do número de católicos no mundo. De acordo com os dados do Anuário Pontifício 2026 e do Annuarium Statisticum Ecclesiae 2024, os católicos no mundo somam pouco mais de 1,422 bilhão de pessoas em 2024, ante 1,406 bilhão em 2023. O aumento foi de 1,14%, cerca de 16 milhões de fiéis. Os números proporcionam interpretações, análises e guiam tomadas de decisão em toda parte. Aqui no Brasil, atentos à missão de anunciar o Evangelho a todos, os bispos consideraram os dados do Censo 2022 na reflexão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE).
Os dados do Anuário Pontifício mostraram que a participação dos católicos na população global permaneceu estável, em torno de 17,8%. A América continua como o continente com maior número de católicos, concentrando 47,7% do total mundial e com 64% da população que se declara católica.
No Brasil, os dados do Censo 2022 apontaram para o número de 56,7% de católicos no país, uma redução de 8,3% em relação a 2010. Porém, a redução foi menor que a década anterior. Outro destaque diz respeito ao aumento no número de pessoas sem religião, freando a expectativa de aumento crescente no número de evangélicos.
Os dados do Censo 2022 “constatam uma mudança importante”, segundo a análise do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz) apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB.
“O Brasil deixa de ser um país hegemonicamente católico para se configurar como uma nação religiosamente plural e dinâmica”.
Essa análise reforça o que tem sido apresentado pelo Inapaz desde o ano passado, quando começaram a ser divulgados os recortes sobre religião a partir do Censo. A compreensão é de que os números censitários “são insuficientes para uma aproximação mais consistente da realidade verificada no ethos religioso brasileiro. Eles precisam ser interpretados, entre outros aspectos, à luz de aspectos culturais mais amplos”.
Assim, as análises de conjuntura eclesial elaboradas pelo Inapaz tiveram a preocupação de analisar não só os dados do Censo, mas o modo como pessoas e grupos lidam com a vida, com a dimensão religiosa em geral e com o catolicismo em particular, o chamado ethos religioso.
De acordo com o Inapaz, a experiência religiosa brasileira se deslocou de um perfil monocêntrico, institucional, doutrinal e estático para um perfil altamente plural, individualizado. “O Brasil está passando da cristandade para a pós-cristandade, no qual o cristianismo se torna uma escolha pessoal em um contexto bastante plural, perdendo força institucional”.
Além desses aspectos há um contexto mundial de policrise, o que é entendido a partir do termo utilizado por Edgar Morin a respeito das mudanças nos diversos âmbitos da vida humana como sintomas de uma crise maior da civilização ocidental.
Assim, observa o Inapaz, “o desafio consiste em anunciar o Evangelho em um contexto no qual crer já não significa necessariamente pertencer nem seguir”.
“Trata-se de redescobrir a força do testemunho, da comunidade e do encontro pessoal como caminhos privilegiados para que a fé cristã continue a oferecer sentido, esperança e horizonte à existência humana no Brasil de hoje. Trata-se de buscar itinerários para que a fé seja transmitida às novas gerações, seja alimentada e mantenha seu vigor profético-solidário”.
Nesse cenário, a ação evangelizadora não pode se limitar à conservação de estruturas e métodos herdados de um contexto de cristandade, alertou o Inapaz. A exigência, é de uma “conversão pastoral e missionária que coloque a Igreja em estado permanente de missão”, apontou inspirado no Documento de Aparecida.
“Tal conversão passa pela redescoberta da centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, pela valorização das pequenas comunidades como mediações privilegiadas em uma sociedade fragmentada, pelo fortalecimento da iniciação à vida cristã, pela adequada animação bíblica da vida e da pastoral, pela integração entre liturgia e piedade popular e pelo compromisso com a transformação da realidade à luz do Evangelho”.
Confira a análise oferecida aos bispos na íntegra.
Após um percurso de quatro anos, o episcopado brasileiro concluiu, durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, a construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O texto recolhe, entre as diversas fontes que o inspiram, as contribuições oferecidas pelo Inapaz.
Elas são a forma com a qual os bispos propõem uma resposta ao apelo do Espírito “a ser uma tenda sempre aberta, capaz de ampliar a escuta e o acolhimento, sustentada por estacas firmes na fé, esperança e caridade, diante dos desafios atuais”.
As Diretrizes querem assegurar que a Igreja no Brasil permaneça fiel às suas três tarefas permanentes: anunciar, santificar e testemunhar a fé.
Os bispos, cientes da nova realidade, convidam a Igreja a “rever os métodos de anúncio da Boa-Nova, de transmissão da fé e de fortalecimento do senso de pertença à comunidade eclesial”. Nas novas DGAE, também falam em “reavivar em toda a Igreja no Brasil a busca pela santidade e o sentido de participação e comunhão orientados pela missão”.
A imagem da tenda, assim como no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade vivido por toda a Igreja, foi escolhida para expressar o espírito que vai nortear a ação evangelizadora da Igreja no Brasil. Essa figura da tenda pode ser entendida como o chamado à Igreja a ser “comunidade que se alarga, escuta os sinais dos tempos, faz o discernimento para a conversão pastoral e sai em missão”.
O texto será publicado nas próximas semanas e estará disponível para todas as comunidades do Brasil para aquisição na editora oficial da CNBB, a Edições CNBB.
CNBB