No dia 15 de novembro de 2026, a Igreja celebra o X Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. Mais do que uma data no calendário, esta celebração é um chamado à conversão do coração e à responsabilidade de cada cristão diante do sofrimento de tantos irmãos e irmãs.
Em sua mensagem para este ano, o Papa Leão XIV apresenta o tema “O Senhor é o refúgio do pobre” (cf. Sl 14,6). O Santo Padre recorda que Jesus Cristo se aproxima dos esquecidos e marginalizados, oferecendo não apenas o pão, mas também amizade, reconhecimento e dignidade. A Igreja, por sua própria natureza, é chamada a ser pobre e refúgio para os pobres. Essa mensagem nos convida a perguntar: nossas comunidades são verdadeiramente lugares onde os mais necessitados encontram acolhida e esperança?
O Evangelho nos ensina: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Não podemos separar a fé celebrada na Eucaristia da caridade vivida no cotidiano. O amor a Cristo se manifesta também na atenção a quem tem fome, na proximidade de quem sofre e no respeito à dignidade de cada pessoa.
Por isso, a Paróquia Nossa Senhora da Penha convida todos os paroquianos, comunidades, pastorais, movimentos e serviços a participarem de uma corrente de solidariedade, por meio da doação de alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal, destinados às famílias e pessoas que mais necessitam. Cada contribuição, mesmo simples, pode levar alívio e esperança a um lar.
Mas nosso apelo vai além de uma campanha ou de um único domingo. Não basta recordar os pobres em um dia e esquecê-los nos demais. Precisamos construir uma cultura permanente de partilha. Que cada família, conforme suas possibilidades, assuma o compromisso de contribuir regularmente; que nossas comunidades promovam arrecadações contínuas; e que nossas pastorais e movimentos se organizem para identificar necessidades, visitar, escutar e acompanhar com respeito e discrição as pessoas em situação de vulnerabilidade.
A caridade cristã não se resume à entrega de bens materiais. Ela exige presença, escuta, fraternidade e compromisso com a dignidade humana. Ao lado da ajuda imediata, somos chamados a fortalecer vínculos, combater a indiferença e buscar caminhos que favoreçam a inclusão e a justiça. Não se trata apenas de fazer algo pelos pobres, mas de caminhar com eles como irmãos.
Neste Dia Mundial dos Pobres, renovemos uma decisão que deve durar o ano inteiro: que nenhuma comunidade deixe de olhar para os que mais sofrem; que nenhuma família considere pequena demais a sua contribuição; e que nenhum necessitado seja tratado como invisível.
Que Nossa Senhora da Penha interceda por nós e nos ensine a transformar a fé em gestos concretos de amor.
Partilhar não é apenas um gesto de um dia. É uma maneira cristã de viver todos os dias.
Pe. Ueliton Neves da Silva
Pároco