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Itabira, 17 de junho de 2026

PALAVRA DO PÁROCO Pe. Ueliton Neves da Silva MÊS DE junho  .  2026
TODAS AS PALAVRAS DO PÁROCO

Coração de Jesus e Maria, fontes de amor, paz e missão

17/06/2026 . Palavra do Pároco

Queridos irmãos e irmãs, amados paroquianos,

Chegamos ao mês de junho, um tempo profundamente marcado pela graça de Deus e pela riqueza da nossa liturgia. Este é o mês que a Igreja dedica, com filial amor, ao Sagrado Coração de Jesus. É Nele que encontramos a fonte inesgotável de misericórdia, paz e refrigério para as nossas vidas.

Da ferida aberta pela lança do soldado no Calvário, jorram sangue e água — símbolos sacramentais que brotam para a vida eterna. Em cada Eucaristia, celebramos o mistério da paixão e morte de Jesus, onde esse mesmo sangue se torna o alimento que garante a nossa eternidade. Esse sangue e essa água saem do lado esquerdo de Jesus: o lado do coração, o lado do amor infinito que Ele nutre por cada um de nós. Por isso, somos sumamente chamados a amar o próximo do mesmo modo que Ele nos amou. Façamos também do nosso próprio coração um espaço sagrado, onde entrem apenas coisas boas, para que possamos transmitir esse mesmo bem ao próximo.

O mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus é uma oportunidade de aprofundarmos a nossa fé. O amor de Cristo precisa inundar a Igreja e toda a terra. A humanidade atual clama por mais amor e menos guerra. Só alcançaremos a verdadeira paz e as graças que tanto necessitamos se nos prostrarmos em profunda oração diante do Sagrado Coração de Jesus, pois a mudança do mundo nasce do joelho no chão.

Unido ao Coração de Jesus, celebramos também o Imaculado Coração de sua e nossa Mãe, a Virgem Maria. Na espiritualidade cristã, o coração de Maria ocupa um lugar singular, pois reflete, de maneira pura e perfeita, o próprio coração de seu Filho. Contemplar o coração da Virgem é entrar no mistério do amor de Deus pela humanidade; ela é o espelho fiel de um Jesus apaixonado por nós, cheio de misericórdia e compaixão.

Desde a Anunciação, narrada no Evangelho de São Lucas, percebemos um coração totalmente aberto à vontade divina. Ao ouvir o anúncio do anjo de que seria a Mãe do Salvador, Maria responde: “Faça-se em mi segundo a tua palavra”. Nesse instante, seu coração uniu-se plenamente ao projeto redentor. Mesmo sem compreender todos os caminhos que percorreria, ela confiou inteiramente. Seu “sim” não foi um consentimento momentâneo, mas uma entrega contínua que acompanhou toda a sua vida. E o amor verdadeiro sempre se transforma em serviço: logo após o anúncio, ela dirigiu-se apressadamente à casa de sua prima Isabel para ajudar.

Nas Bodas de Caná, vemos outro sinal profundo dessa união entre os corações de Mãe e Filho. Maria percebe a necessidade dos noivos antes mesmo que alguém peça ajuda. Seu olhar atento manifesta sensibilidade e amor. Ela intercede junto a Jesus e orienta os serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Maria não busca os holofotes para si; ela conduz todos para Cristo, desejando que a humanidade encontre Nele a alegria verdadeira.

A tradição da Igreja contempla Maria como a mulher do coração transpassado. A profecia de Simeão — “uma espada transpassará tua alma” — realiza-se plenamente no Calvário. Mesmo em meio à dor indescritível, Maria permanece firme. Seu amor não vacila.

O coração de Maria reflete o de Jesus porque ambos revelam um amor capaz de permanecer fiel até o fim. O amor de Jesus alcança sua expressão máxima na cruz quando Seu coração é aberto pela lança, tornando-se o sinal definitivo do amor do Pai. Ao lado da cruz está Maria. Seu coração sofre unido ao coração do Filho, participando da dor redentora não como simples espectadora, mas como mãe profundamente associada à missão de Jesus.

Na cruz, Jesus entrega Maria à humanidade na pessoa do discípulo amado: “Eis aí tua mãe”. Nesse gesto supremo, Cristo nos mostra o coração materno de Maria, que se torna a mãe espiritual de todos os discípulos. Seu coração continua acolhendo, intercedendo e conduzindo os filhos para Deus.

A devoção ao Imaculado Coração de Maria nunca afasta o fiel de Cristo; pelo contrário, leva-nos a contemplar mais profundamente o amor do próprio Jesus. O coração de Maria é totalmente transparente à graça divina: humilde, disponível e moldado pela Palavra de Deus.

A espiritualidade mariana autêntica conduz inevitavelmente ao seguimento de Cristo. Quem contempla o coração de Maria aprende a amar mais Jesus e a servir os irmãos com maior generosidade. Ela forma discípulos missionários, capazes de viver a caridade, o perdão e a esperança. Nela vemos o modelo perfeito de resposta ao amor divino — um coração inteiramente de Deus e inteiramente voltado para os irmãos.

Assim, ao contemplarmos Maria neste mês de junho, somos convidados a deixar que nosso próprio coração seja transformado. O coração de Jesus deseja habitar em nós, e Maria nos auxilia nesse caminho de conversão e santidade. O amor vivido por ela não é inacessível; é um convite permanente para que também aprendamos a amar como Cristo nos amou.

Que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria abençoem nossas famílias!

Pe. Ueliton Neves da Silva
Pároco