Meus irmãos, minhas irmãs, saudações, paz e bênçãos no Senhor.
Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja abre solenemente o tempo da Quaresma, tempo de preparação para a celebração da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, evento fundante de nossa fé. Com a Quarta-feira de Cinzas se inicia um período de quarenta dias – número que a Bíblia associa a períodos de espera, de esforço, de penitência e luta contra o mal – em que somos chamados a assumir de forma ainda mais determinada o caminho da própria transformação em Cristo Jesus, por meio dos exercícios do jejum, da esmola e da oração.
A origem das cinzas usadas na liturgia tem seu significado: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar!” A cinza é sinal da fragilidade de toda criatura, bem como da purificação e da ressurreição que por ela se produzem. Os discípulos de Jesus Cristo reconhecem a própria condição de criaturas mortais. Ao mesmo tempo acolhem a experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de si mesmos, qual caminho de participação na vida que ressurge das cinzas.
O tempo quaresmal nos propõe um recolhimento de quarenta dias, inspirado no exemplo de Jesus Cristo, que encontrou no deserto o ambiente favorável para o diálogo com o Pai. A oração e o jejum, praticados por ele, constituíram forças que o motivaram superar os desafios do tentador.
Em nossa realidade, somos convocados a nos revestir das mesmas disposições de Jesus, na condição de autênticos cristãos e enfrentar, com coragem, as tribulações na certeza da vitória. O silêncio é preciso, para escutar com disposição o chamado que o Senhor nos faz: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta!” (1Sm 3,10).
Os sinais de despojamento que a liturgia propõe na Quaresma nos ajudam a mergulhar na essência deste sagrado tempo litúrgico. As leituras da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja, propostas para a liturgia, meditadas e rezadas com atenção, se apresentam como roteiro seguro na caminhada rumo à Páscoa.
A Quaresma é tempo de conversão. E a Campanha da Fraternidade possui essa proposta de impulsionar “um coração convertido”. A quaresma para nós é o silêncio que brota da vivência do encontro com o Pai, uma pausa restauradora, que nos assemelha ao Mestre.
Deus nos chama a vivenciar a Quaresma da fraternidade com o apelo especial a louvá-lo pela beleza da Criação, a fazer um caminho decidido de conversão ecológica e a vivenciar a Ecologia Integral.
A ecologia integral vai além da simples preservação ambiental; ela propõe uma relação harmônica entre todos os seres humanos, as comunidades e o planeta. Trata-se de um chamado à conversão pessoal e social para vivermos em harmonia com a criação, respeitando os direitos das futuras gerações e as necessidades dos mais pobres, que muitas vezes são os mais afetados pela degradação ambiental.
A Campanha vem nos chamar a todos para uma ação concreta de preservação da biodiversidade, combate à poluição e promoção de políticas públicas que respeitem a dignidade humana e a criação de Deus.
Além disso, o Papa Francisco, na Laudato Si, destaca que a destruição ambiental é também uma questão moral, pois afeta diretamente as condições de vida das pessoas mais pobres e marginalizadas. O documento reforça a necessidade de uma conversão ecológica, que deve ser vivida por todos em seu cotidiano, nas escolhas pessoais, sociais e econômicas.
A campanha, portanto, não é apenas uma reflexão sobre o meio ambiente, mas um apelo para que, como Igreja, possamos ser protagonistas de uma transformação cultural, onde o cuidado com a criação seja uma responsabilidade de todos.
Vivamos intensamente a Campanha da Fraternidade 2025, e que a temática apresentada não seja refletida apenas no período da Quaresma, mas ao longo de todo o ano inteiro, e mais, em todos os anos vindouros, pois os esforços por uma ecologia integral devem ser assumidos por todos nós em caráter permanente.
Uma Santa Quaresma da Fraternidade para todos!
Pe. Ueliton Neves da Silva
Pároco