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Itabira, 23 de fevereiro de 2024

PALAVRA DO PÁROCO Pe. Ueliton Neves da Silva MÊS DE outubro  .  2023
TODAS AS PALAVRAS DO PÁROCO

São Geraldo Majela – Uma alma pura que viu a Deus

02/10/2023 . Palavra do Pároco

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8).

Último filho de uma piedosa família, Geraldo nasceu na pequena cidade de Muro Lucano, próxima de Nápoles, em abril de 1726. Desde muito jovem deu manifestações de ser uma alma predileta da Providência: nunca pedia alimento e, em alguns dias da semana, chegava a rejeitá-lo, prenunciando os jejuns que haveria de praticar mais tarde e sua célebre máxima: “O amor a Deus não entra na alma se o estômago está cheio”.

Seu principal passatempo consistia em erigir pequenos altares, adornando-os com velas e flores; mas seu local preferido era a capela de Capodigiano, dedicada à Santíssima Virgem, distante de Muro cerca de 2 km. Dali voltou, certa vez, trazendo um pequeno pão branco. Indagado pela mãe acerca de quem lhe havia dado o alimento, respondeu: “O filho de uma bela senhora com o qual brinquei”. Como o fato se repetisse diariamente durante vários meses, uma de suas irmãs o seguiu um dia, sem ele perceber, e pôde testemunhar o seguinte espetáculo: apenas Geraldo se ajoelhou aos pés da imagem de Maria, o Menino Jesus desceu dos braços de sua Mãe para brincar com ele e, ao despedir-Se, entregou-lhe um pãozinho.

Sua Primeira Comunhão não foi menos extraordinária: tendo ­recebido do pároco uma categórica resposta negativa, por ser ainda muito novo para receber o Pão dos fortes, o pequeno Geraldo pôs-se a soluçar no fundo da igreja. Na mesma noite apareceu-lhe São Miguel Arcanjo e lhe administrou a Sagrada Eucaristia!

Inebriado pela “loucura” da Cruz (cf. I Cor 1, 18), em tudo buscava imitar os sofrimentos do Salvador: flagelava-se até o sangue, fazia-se de louco para atrair o desprezo de seus concidadãos, passava dias inteiros sem comer e, às noites, escalava a torre da catedral para introduzir-se pelas arcadas dos sinos e ir rezar aos pés do Santíssimo Sacramento. Se, de um lado, o demônio lhe armava ciladas, aparecendo como um cão furioso ou provocando acidentes, de outro, o Senhor o recompensava com inúmeras consolações.

Ser religioso sempre fora o sonho de Geraldo; contudo, aprouve à Providência provar-lhe a perseverança antes de aceitar sua entrega. Fracassou em duas tentativas de ingresso nos capuchinhos e numa curta experiência como anacoreta. Isto desanimaria qualquer outro, não o jovem Majela! Depois de muito insistir, foi acolhido na Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) como um inútil.

Considerado inútil para qualquer trabalho devido à sua extrema magreza, não tardou a desmentir esta fama. O fogo interior que o consumia supria a falta de robustez, a ponto de os religiosos afirmarem que rendia por quatro pessoas. Desdobrava-se em atenções para com os demais e assumia os encargos mais humildes: jardineiro, sacristão, coletor de esmolas, porteiro… Sua presença tornou-se disputada nas diversas casas da Congregação. Exímio no cumprimento das obrigações, revelou-se também apóstolo infatigável e irresistível nas missões.

Secundado pelo dom de milagres concedido pela Providência, produzia abundantes frutos de apostolado. Os elementos, as doenças e os demônios obedeciam à sua palavra. Curou um número incontável de enfermos, dentre os quais uma menina paralítica de nascença. Em várias ocasiões, multiplicou os alimentos e chegou a abrir as águas de um rio que lhe impedia a passagem.

Um dos seus mais retumbantes prodígios foi o realizado em Nápoles. Uma multidão reunida à beira-mar afligia-se ante o espetáculo de uma embarcação cheia de passageiros que se debatia nas ondas, em meio a uma furiosa tempestade. Passando por ali, Geraldo lançou-se à água e ordenou ao navio, em nome da Santíssima Trindade, que se detivesse. Depois o arrastou até a terra, como se fosse uma palha, e saiu da água com a roupa inteiramente seca. Todo o povo o aclamava, querendo prestar-lhe homenagens, mas ele fugiu correndo pelas ruas da cidade.

Todavia, onde mais se fazia sentir o aroma de sua santidade era no recinto sagrado do convento. De tal maneira neste religioso exemplar se rivalizavam as virtudes, que seria difícil apontar uma como a principal. Ninguém mais humilde, mais obediente, mais observante da regra! Seus próprios mestres tomavam-no como modelo e os confessores confundiam-se ante a integridade daquele irmão leigo, neófito na vida religiosa e já elevado aos cumes da perfeição. Alguns de seus contemporâneos chegaram a afirmar que parecia não ter sido tocado pelo pecado original, como um serafim de carne e osso.

Os fenômenos místicos com os quais foi agraciado são um dos traços mais surpreendentes de sua espiritualidade. “Ao que parece, todos os favores concedidos por Deus aos outros santos, na ordem mística, quis Ele reuni-los na pessoa de nosso seráfico confrade”, escreve Padre Saint-Omer. Com efeito, num século no qual o racionalismo procurava negar a existência do sobrenatural e, no fundo, do próprio Deus, a vida de Geraldo mostrava como são tênues os véus que nos separam do mundo invisível, pelo que devemos nos compenetrar de estarmos sempre debaixo do olhar de Deus.

Visões, êxtases, levitações, dom de profecia, ciência infusa, discernimento dos espíritos, conhecimento à distância, resplendores, bilocações, invisibilidade… Impossível descrever no exíguo espaço de um artigo cada uma destas maravilhas.

Citemos apenas dois exemplos. Em visita ao Carmelo de Ripacandida, entrou subitamente em êxtase e seu corpo tornou-se incandescente a ponto de derreter a grade de ferro que ele tocava com as mãos. Também aconteceu-lhe de, ao contemplar uma bela pintura da Santíssima Virgem, erguer-se do solo até a altura do quadro e, beijando-o com inefável carinho, exclamar: “Como Ela é bela! Vede como é bela!”.

Geraldo já não era deste mundo. Aliás, nunca o fora! Em agosto de 1755, durante uma missão, teve a primeira hemoptise. Seu superior o encaminhou ao convento de Materdomini, para ali se restabelecer. Longe de regredir, a enfermidade progrediu rapidamente: sangue, febre, mal-estar sem conta. Nada, todavia, logrou arrancar-lhe sequer uma queixa: “A vontade divina e eu somos uma coisa só”, dizia com alegria. À custa de muito esforço deixava o leito para passar algumas horas de joelhos diante do Crucifixo de sua cela.

Também este período foi marcado por fatos extraordinários: de seu corpo minado pela tuberculose emanava um perfume tão penetrante que os visitantes identificavam seu quarto com facilidade. Mais edificante ainda foi sua obediência: tendo recebido a ordem de ficar curado, levantou-se logo e retomou a vida comunitária por várias semanas.

Sem embargo, a ­vontade de Deus era outra, e em outubro a doença o atacou com maior rigor. Nos poucos dias que lhe restavam, padeceu, por especial favor do Céu, os tormentos da Paixão de Cristo. Chegado o dia 15, anunciou que morreria naquela mesma noite. Recebeu de manhã o Viático e, à tarde, recitou o Salmo Miserere. Duas horas antes de falecer, vendo aproximar-se a Rainha dos Céus, ­ajoelhou-se sobre a cama e entrou em êxtase. Era cerca de meia-noite quando sua alma abandonou o corpo. Imediatamente sua fisionomia inerte transfigurou-se, adquirindo uma formosura angélica. E quando o sineiro do convento quis fazer soar o toque dos defuntos, sentiu uma força irresistível que o obrigou a ressoar o carrilhão das grandes festas! Em 1893, Leão XIII elevou Geraldo Majela à honra dos altares, como Beato. Onze anos depois, São Pio X inscreveu no Catálogo dos Santos este exemplar religioso que manteve sempre intacta sua pureza de coração.

Meus irmãos, minhas irmãs, estamos no mês missionário. Para reavivar a consciência batismal do Povo de Deus em relação a missão da Igreja, o Papa Francisco escolheu para o Mês Missionário Extraordinário o tema  “Corações ardentes, pés ao caminho”. Os discípulos de Emaús estavam confusos e desiludidos, mas o encontro com Cristo na Palavra e no Pão partido acendeu neles o entusiasmo para pôr os pés ao caminho rumo a Jerusalém e anunciar que o Senhor tinha verdadeiramente ressuscitado. Na narração evangélica, apreendemos a transformação dos discípulos a partir de algumas imagens sugestivas: corações ardentes pelas Escrituras explicadas por Jesus, olhos abertos para O reconhecer e, como ponto culminante, pés ao caminho. Meditando sobre estes três aspetos, que traçam o itinerário dos discípulos missionários, podemos renovar o nosso zelo pela evangelização no mundo de hoje.

A imagem de pôr os “pés ao caminho” recorda-nos mais uma vez a validade perene da missio ad gentes, a missão confiada pelo Senhor ressuscitado à Igreja: evangelizar toda a pessoa e todos os povos até aos confins da terra. Hoje, mais do que nunca, a humanidade, ferida por tantas injustiças, divisões e guerras, precisa da Boa Nova da paz e da salvação em Cristo. Por isso, aproveito esta ocasião para reiterar que todos têm o direito de receber o Evangelho. Os cristãos têm o dever de o anunciar sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. A conversão missionária permanece o principal objetivo que nos devemos propor como indivíduos e como comunidade, porque a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja.

Em comunhão com toda a Igreja, celebraremos de 03 a 11 a novena e festa de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e padroeira do Brasil, às 07h30 no Santuário São Geraldo e às 19h na Comunidade Sagrado Coração de Jesus. Convido ainda você e sua família para celebrar conosco a novena e festa em honra a São Geraldo, de 06 a 15 de outubro de 2023.

Nos dias 21 e 22 de outubro, nossas comunidades eclesiais são convidadas a participarem da Coleta Missionária da Solidariedade. Nestes dias, as ofertas são integralmente enviadas às Pontifícias Obras Missionárias (POM) que as repassam ao Fundo Universal de Solidariedade para apoiar projetos em todo o mundo.

De 25 a 28 estaremos celebrando o tríduo e festa em honra a São Judas Tadeu, apóstolo do Senhor Jesus, no bairro Colina da Praia. Participe conosco e peçamos a intercessão do santo das causas impossíveis.

Celebremos com corações ardentes, olhos abertos e pés ao caminho a Eucaristia e caminhemos juntos pelo caminho da paz e da salvação que Deus, em Cristo, deu à humanidade.

O Senhor te abençoe e te guarde.

Itabira, 02 de outubro de 2023