A noite do último sábado, 22 de agosto, reservou um momento de profunda comunhão e renovação espiritual para os moradores e devotos da Vila Santa Rosa. Às 19h, a comunidade da Vila Santa Rosa e outros convidados reuniram-se em expressiva participação para a celebração da santa missa em honra a Santa Rosa de Lima, primeira santa canonizada do continente americano. A santa missa foi presidida pelo Padre Ueliton Neves da Silva.
Ao resgatar a biografia da padroeira, Padre Ueliton aprofundou-se na trajetória de Isabel Flores y Oliva, nascida em Lima, Peru, em 1586. O nome “Rosa” surgiu ainda na infância, devido ao seu rosto delicado que resplandeceu com a beleza dessa flor. No entanto, o pároco enfatizou que o verdadeiro perfume de sua santidade não veio de seus atributos físicos, mas de sua extraordinária beleza interior. Contrariando os desejos de sua família, que almejava para ela um casamento promissor na alta sociedade, Isabel renunciou às vaidades do mundo. Ingressou na Ordem Terceira de São Domingos e transformou o quintal de sua casa em um eremitério de intensa oração e penitência rigorosa.
Mais do que uma contemplativa isolada, Santa Rosa de Lima foi uma pioneira da caridade social na América Latina. Ela transformou um dos cômodos da residência familiar em um hospital improvisado, onde acolhia e cuidava, com as próprias mãos, de indígenas, escravizados, enfermos e necessitados da época. O sacerdote destacou que o legado de Santa Rosa ensina à Igreja que a santidade não é uma fuga do mundo, mas sim um mergulho profundo nas dores do próximo, movido por um amor radical a Deus.
Essa postura firme de desapego e fidelidade foi costurada pelo celebrante com os fragmentos do Evangelho de São Mateus (16, 13-20), correspondente ao 21º Domingo do Tempo Comum. Na passagem bíblica proclamada, Jesus interroga seus discípulos na região de Cesareia de Filipe: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Diante do silêncio dos outros, Simão Pedro assume o protagonismo e professa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
Padre Ueliton pontuou em sua homilia que a resposta de Pedro não foi fruto de um conhecimento intelectual ou de ouvir dizer, mas sim de uma convivência íntima e de uma experiência real de seguimento. O sacerdote explicou que, ao responder categoricamente à pergunta de Cristo através de suas escolhas de vida, Santa Rosa de Lima também professou a mesma fé de Pedro. Ela compreendeu que Jesus não era apenas uma figura histórica, mas o sentido absoluto de sua existência. O celebrante exortou a comunidade a compreender que a liturgia do dia convoca cada cristão a fazer essa mesma escolha pessoal e diária, assumindo as consequências de declarar que Jesus é o Senhor de suas vidas.
A profissão de fé exigida pelo Evangelho e testemunhada por Santa Rosa encontrou eco direto na celebração do Dia do Leigo, vivenciada no quarto final de semana do mês vocacional. Padre Ueliton dedicou uma parte central de sua pregação para refletir sobre a identidade, a importância e a dignidade dos fiéis leigos na Igreja. Ele enfatizou que o leigo não é um mero espectador mas um sujeito ativo da evangelização, investido dessa missão pelo Sacramento do Batismo.
O sacerdote caracterizou os leigos como as verdadeiras “forças vivas” das comunidades eclesiais missionárias. São eles que têm a missão específica de levar o Evangelho para onde a voz dos padres e bispos muitas vezes não consegue chegar: nos ambientes de trabalho, nas universidades, na política, nas estruturas sociais e no coração das famílias. Ao conectar o laicato com a liturgia do dia, o pároco lembrou que os leigos são as “pedras vivas” que sustentam a paróquia, transformando a fé professada nos altares em ação concreta de justiça, paz e caridade no meio da sociedade.
A celebração na Associação da Vila Santa Rosa foi encerrada sob um clima de forte emoção e renovado ardor missionário. A união entre a memória de Santa Rosa, as provocações do texto sagrado e a valorização do laicato deixou nos fiéis a certeza de que a santidade é um chamado atual e que a missão de construir o Reino de Deus pertence a todos.