A Comunidade Santa Ana, localizada no bairro Juca Rosa e pertencente à Paróquia Nossa Senhora da Penha, vivenciou momentos de profunda renovação espiritual e comunhão eclesial entre os dias 23 e 26 de julho de 2026. A celebração do Tríduo e Festa em honra a Santa Ana e São Joaquim, pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo, ocorreu em total sintonia com o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Desenvolvido sob o tema “Eu nunca te esquecerei: a ternura e a força de Deus na fidelidade de Santa Ana e São Joaquim”, a festa articulou a riqueza litúrgica e teológica a reflexões urgentes sobre o papel e o valor da terceira idade na sociedade contemporânea.
A caminhada de fé teve início na quinta-feira, 23 de julho, na Conferência Santo Antônio, onde o pároco, Padre Ueliton Neves da Silva, presidiu a abertura do tríduo. Sob o tema “Não tenhais medo da fragilidade: o colo de Deus que acolhe e protege”, a primeira noite contou com a participação dos Vicentinos e da Catequese Paroquial, convidando os fiéis a contemplarem a debilidade humana como o espaço onde se manifesta o amparo e a proteção do Pai. Na noite seguinte, 24 de julho, o vigário paroquial, Padre Marlon Mendes Gonçalves, conduziu a segunda noite com o tema “A cultura do encontro: combatendo a solidão através do carinho e da presença”, que reuniu o Encontro de Casais com Cristo (ECC) e a Pastoral Familiar para debater a importância do afeto real. O tríduo preparatório encerrou-se no sábado, 25 de julho, com a santa missa presidida pelo Padre Ronaldo Torre, que abordou o tema “Renascidos na velhice: uma vida espiritual fecunda, guiada pela fé e pela oração”, contando com a presença da Irmandade de Sant’Ana, do Grupo Santa Filomena e do Movimento das Mães que Oram pelos Filhos. Todas as noites do tríduo iniciaram-se com a recitação do Terço Mariano às 19h e a santa missa às 19h30.
O ápice das festividades aconteceu no domingo, 26 de julho, iniciando-se às 08h30 com a concentração em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha. Às 09h, a solene procissão seguiu até a Gruta de Sant’Ana, onde o Padre Ueliton Neves da Silva presidiu a Santa Missa. Em sua homilia, apresentou a vida e a missão dos avós de Jesus como referenciais de entrega aos desígnios divinos, enfatizando com vigor que os avós e idosos são o testemunho vivo da nossa própria história, uma trajetória que atravessa gerações marcada de forma indelével pela fé, pela coragem e pela perseverança. O pároco ressaltou que a convivência familiar com os mais velhos é o espaço ideal para o aprendizado espiritual e humano, pois são eles que testemunham os valores da vida familiar à luz do amor e da fé, mostrando que a maturidade é um tempo de graça, conversão e missão na Igreja. Recordou ainda sobre o isolamento social que frequentemente afeta essa parcela da população, sublinhando que os idosos e avós enfrentam, com dolorosa frequência, a sensação de solidão, de abandono e do esquecimento. Ao fazer eco às palavras do Papa Leão XIV, o pároco apontou para um grande paradoxo do mundo moderno: embora a cultura digital multiplique as conexões virtuais através de telas, o ser humano conserva a necessidade vital e inalienável do encontro real e da proximidade física. Como resposta divina a essa solidão, o Padre Ueliton proclamou a promessa contida no livro do Profeta Isaías: “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15), exortando a comunidade a transformar essa certeza em gestos práticos de ternura, acolhimento, escuta e gratidão.
Ao se referir ao Evangelho de São Mateus, que trazia as parábolas do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede lançada ao mar, as quais foram magistralmente interligadas à realidade da longevidade, pároco explicou que o tesouro e a pérola representam a sabedoria e a experiência acumuladas pelos idosos ao longo de décadas de fidelidade a Deus, evidenciando que descobrir e valorizar a presença de um ancião na família equivale a encontrar uma riqueza escondida. Por fim, a rede lançada ao mar foi apresentada como o símbolo da própria Igreja que acolhe a todos sem distinção, onde, na triagem da vida, o testemunho firme e purificado dos idosos destaca-se como aquilo que há de melhor e mais precioso a ser guardado, honrado e imitado por toda a comunidade cristã. Após a missa, o espírito de partilha estendeu-se com um almoço festivo, leilões e barraquinhas.